Por vezes, a palavra “formação” é mal vista entre alguns professores. Não por falta de seriedade. Mas porque muitos já passaram por sessões demasiado longas, teóricas, repetitivas, pouco aplicáveis e distantes do que acontece na sala de aula e na vida real da escola.
O Centro de Formação de Escolas NovaFoco assume este diagnóstico com lucidez e responsabilidade. O nosso compromisso é claro: inovar, fazer mais e melhor, escolher temas atuais, ir ao encontro das necessidades reais das escolas e respeitar o tempo de quem ensina. Não queremos contribuir para que a palavra formação caia numa amargura silenciosa. Queremos devolvê-la ao lugar certo: o de um momento útil, digno e transformador.
A investigação em aprendizagem de adultos é consistente nisto: quando uma formação não respeita o modo como os adultos aprendem, ela gera resistência e cinismo.
Há quatro mecanismos principais, muito práticos, por trás dessa resistência:
1. Relevância imediata
Adultos aderem quando percebem utilidade concreta e rápida. Se a sessão não resolver problemas reais, o cérebro classifica aquilo como ruído e começa a desligar. Isto é um princípio clássico da andragogia e da motivação autodeterminada: as pessoas precisam de sentir sentido e controlo para se envolverem.
2. Sobrecarga e fadiga decisional
O professor contemporâneo está frequentemente em sobrecarga. Quando a formação acrescenta complexidade sem aliviar carga, é vivida como mais peso. A psicologia cognitiva mostra que atenção e memória de trabalho são recursos limitados. Se a sessão não for bem desenhada, o cansaço vence a intenção.
3. Autonomia e respeito profissional
Quando a formação é imposta, infantilizante, ou pouco dialogante, surge reação automática. A evidência sobre motivação indica que autonomia e competência percebida são motores centrais do envolvimento. O professor não quer “ser convencido”. Quer ser respeitado e equipado.
4. Transferência para a prática
Grande parte do problema não é “a qualidade do conteúdo”, é a ausência de transferência. A ciência da formação profissional mostra que sem exemplos aplicados, prática guiada, feedback e plano de ação, a retenção cai e a mudança não acontece. Resultado: fica a sensação de “fui, ouvi, não mudou nada”.
A direção é simples e exigente: formações cada vez mais claras, mais atuais, mais alinhadas com a realidade, com ferramentas aplicáveis, metodologias ativas e propostas de ação que o professor consegue usar no dia seguinte.
O objetivo é ajudar as escolas a funcionar melhor. E ajudar quem ensina a sentir que o seu tempo foi respeitado…
Quando a Formação é boa, ela não dá mais trabalho ao professor. Dá-lhe mais margem. Uma boa formação não enche a cabeça. Organiza a vida.